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Minha opinião sobre a pesquisa "State of the CIO"


Bob Worrall, CIO, Sun Microsystems, Inc.

Prezados leitores do Inner Circle

Muitos de vocês viram na revista a pesquisa CIO “State of the CIO” de 2009. Fico sempre ansioso por ler essas pesquisas, já que elas me ajudam a avaliar os meus colegas CIO, e a compreender até que ponto enfrentamos os mesmos desafios. Embora concorde com muitos dos pontos apresentados na pesquisa, descobri algumas áreas em que a minha opinião diverge da opinião do grupo. Seguem-se alguns comentários sobre os pontos da pesquisa que achei interessantes.

Equilibrar novas necessidades empresariais e ao mesmo tempo manter a solidez dos principais serviços de TI

A pesquisa afirmava: “Muitos de vocês relatam que gastam menos tempo e têm menos impacto no principal elemento que mantém a sua empresa viva: os clientes.”

A tecnologia é importante para descobrir, qualificar e atrair novos clientes, mas se o CIO se preocupar demasiadamente com esse assunto, irá se esquecer de manter vivo o legado.

Dar atenção aos clientes é, claramente, uma prioridade para todos. Em uma recessão, todos lutamos por cada vez menos clientes. Mas o que me preocupa nesta afirmação é que alguns CIOs podem sobrevalorizar este único tópico e, ao fazê-lo, sacrificam todos os outros elementos igualmente importantes de seu trabalho. Quer gostemos ou não, a maioria das coisas que os CIOs fazem todo dia não é assim tão empolgante para a maioria dos CEOs, mas eu diria que manter a TI funcionando nos níveis que uma empresa exige, é tão importante como conseguir novos clientes. Os CIOs precisam ponderar cuidadosamente as necessidades novas, emergentes ou táticas da empresa, vigiando atentamente para manter a solidez dos serviços essenciais de TI. A tecnologia é importante para descobrir, qualificar e atrair novos clientes, mas se o CIO se preocupar demasiadamente com esse assunto, irá se esquecer de manter vivo o legado.

Sondar os parceiros estratégicos

A pesquisa afirmava: Embora os líderes empresariais concordem em absoluto que a tecnologia é importante para os produtos de suas empresas e o posicionamento competitivo, eles também afirmam que a TI não está tendo um desempenho tão bom nessas áreas como os CIOs pensam.”

Muitos CIOs estão tão focados internamente nos seus projetos, prioridades e programas que a sua visão do mundo fica nublada. Concordo vivamente que muitos novos CIOs não conseguem obter uma visão de 360º quanto à TI dos seus parceiros de negócios. É como uma revisão de desempenho, uma boa revisão de desempenho obtém feedback de colegas, gerentes, executivos, intervenientes, etc. No papel de CIO, você precisa fazer o mesmo. Você precisa sondar o CEO, o CFO, talvez o diretor de vendas, todos os parceiros estratégicos, bem como os colaboradores mais diretos. É da incumbência dos CIOs perceber o que significa a recessão em termos de impacto de TI e planejar em conformidade.

Compreender os critérios de seus intervenientes

A pesquisa afirmava: 49% dos executivos [entrevistados] avaliaram o desempenho da TI [em termos da obtenção ou retenção de clientes] como "satisfatório" ou "deficiente." Outros 5% afirmaram que a TI não suporta em nada a obtenção ou retenção de clientes.”

Não é surpresa que os principais executivos tenham uma opinião menos favorável do desempenho da TI do que os CIOs. A maioria de nós olha-se no espelho e julga o nosso desempenho com base nos próprios critérios, enquanto as pessoas que fornecem os serviços têm um conjunto de critérios diferente. A luta de muitos CIOs relaciona-se com o fato de a maioria dos intervenientes nunca entender o que acontece na nossa vida profissional. Os CEOs e os CFOs, a não ser que tenham subido através da organização de TI, não compreendem o gerenciamento de redes e toda a sua complexidade. Assim, quando se trata de definir o sucesso, os dois campos operam com conjuntos de critérios diferentes. A não ser que você esteja constantemente questionando seus intervenientes e clientes, para entender quais são seus critérios de sucesso, você acabará sempre tendo uma classificação diferente.

Pensar de forma criativa em termos de soluções que reduzam custos

A pesquisa afirmava: “...a crise financeira reescreveu os objetivos dos CIOs. Os CIOs precisam se levantar e empregar habilidades além das básicas, para alinhar com os objetivos da empresa e dar retorno.”

Você não pode esperar pelas instruções do chefe. Você deve ser proativo e pensar de forma criativa, em termos de soluções que diminuam os custos sem sacrificar os serviços. A questão aqui é dirigir-se de forma proativa ao chefe e reconhecer que compreende a recessão e os impactos que tem na empresa. Propor idéias criativas sobre o que pode fazer para abordar a estrutura de custos além de cortes de pessoal e serviços. Isso conta muito para a direção da empresa, porque significa que você não está se escondendo dos problemas à espera que passem.

Comunicar de forma clara para que a empresa possa compreender

A pesquisa afirmava: “A TI é cortada na primeira onda, mas se você cortar muito fundo — ou nos lugares errados — a empresa não conseguirá mais responder à demanda na segunda onda.”

Temos que conseguir "vender o produto" e a estratégia de forma clara, articulada e apoiada por dados.

É vital que os CIOs não se limitem a seguir instruções do CFO ou do CEO, mas que se levantem e estejam dispostos a lutar por iniciativas centrais relacionadas com as infraestruturas da empresa. Será isso que manterá uma empresa a longo prazo, em vez de oferecer apenas orçamentos com retorno para 30 dias. Mais uma vez, se trata do ponto que falei antes, não sobrevalorizar. A TI tende a ser considerada como centro de custos e as pessoas presumem que não há efeito de arrasto nessas decisões, quando todos sabemos que há. Este é um raciocínio antecipado para sermos vistos como uma voz chave na mesa dos executivos. Este é o momento em que os CIOs têm de estar bem visíveis e proativos para transmitirem a sua mensagem. Temos que conseguir "vender o produto" e a estratégia de forma clara, articulada e apoiada por dados. Todos lutam pelos preciosos dólares e, só se conseguirmos comunicar claramente para que a empresa consiga entender, a mensagem será ouvida apesar do ruído

Foco nas características que distinguem um CIO que faz mudanças

A pesquisa afirmava: “Desenvolver características que distinguem um CIO ponderado, capaz de fazer mudanças: variedade de conhecimentos, a habilidade de vender o produto e apoiá-lo com dados, e coragem para se afirmar.”

Conjunto de conhecimentos — Os CIOs que sobrevivem durante muito tempo habitualmente têm conhecimentos variados. Cada vez mais, vemos CIOs provenientes da própria empresa ou que têm algum tipo de passado combinado no mundo tecnológico e empresarial. Argumenta-se que para ser bem sucedido como CIO é necessário desenvolver uma gama de conhecimentos. Na Sun temos um programa de desenvolvimento muito ativo para os nossos principais talentos. Fazemos um rodízio das pessoas através das várias funções na TI para que adquiram um melhor entendimento das disciplinas da TI bem como das empresariais.

Poder de persuasão — Saber persuadir é uma característica importante atualmente. Façam ouvir a mensagem acima do ruído, e descubram uma forma resoluta e sucinta de comunicar a quem toma as decisões o impacto dos cortes orçamentais.

A força dos números — Sou um grande apoiante. Os profissionais de TI, em geral, adoram números, estatísticas e dados — faz parte do nosso DNA. Conseguir traduzir em termos financeiros, de risco, de pessoal e de nível de serviço, os impactos das decisões que estão sendo tomadas, só é possível se você tiver um entendimento aprofundado das suas estatísticas. A maioria dos profissionais de TI não possui um conhecimento minucioso de aspectos financeiros. Esse entendimento é vital.

Coragem — Concordo que os CIOs precisam de coragem para defenderem a sua posição, compartilharem os dados, confiarem nesses dados e participarem em conversações de negócios. Não concordo completamente com a idéia de comitês de coordenação. Há um momento e local certos para fazer negócios no diálogo sobre a priorização dos dólares ganhos com TI. Mas, quer seja por motivos culturais ou por insegurança, muitos CIOs confiam demasiado em comitês, como um procurador para tomar decisões difíceis. Se está preocupado com o ritmo da tomada de decisões ou com a velocidade da sua execução, ignore alguns desses comitês de coordenação e decida por você mesmo.

Empenhe-se em tudo que puder

A pesquisa afirmava: “Conheçam o seu negócio e avaliem e expliquem como a TI faz diferença. Sejam intervenientes iguais.”

Concordo. Não fiquem sentados o dia todo no escritório. Saiam e falem com os seus funcionários de TI. No caso de uma empresa grande, falem com o pessoal do departamento comercial, saiam para a rua, visitem os clientes, visitem eventos do ramo. Não é hora para ficarem sentados sem objetivos no escritório à espera de instruções superiores. Empenhe-se em tudo que puder

Na coluna do próximo mês destacarei os resultados de vários tipos de reuniões que venho realizando com clientes e partes interessadas.

Até lá,

Bob Worrall
CIO, Sun Microsystems
cio@sun.com