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Promovendo Novas Tecnologias em Comunidades Globais


Lin Lee, da Sun, descreve como a tecnologia de código aberto pode criar novas oportunidades nos países desenvolvidos e emergentes

Não há dúvida que a tecnologia de código aberto pode oferecer enormes benefícios a governos e indústrias nas comunidades globais. A questão é como “influenciar os influentes”, para que eles possam ter todas as vantagens. Como Vice-presidente das Comunidades Globais da Sun, Lin Lee lidera uma equipe distribuída pelo mundo que colabora com os governos, educadores e comunidades estudantis, proporcionando uma compreensão mais profunda de como a tecnologia de código aberto pode ser usada para criar oportunidades aos países emergentes e aos países desenvolvidos. Lin compartilha com os leitores do Inner Circle detalhes, desafios e recompensas ao levar tecnologias livres para essas comunidades críticas.

P: Como você define as comunidades globais e quem faz parte?

R: Os governos e as universidades no mundo inteiro atualmente fazem parte de nosso portfólio de “comunidades globais”. Isso pode ainda aumentar no futuro incluindo outras forças influentes, assim como organizações de sociedade civil e empresários, mas por ora, esse é o nosso foco. Nossa estratégia para essas comunidades poderá ser única. Ao invés de separar esses dois públicos, nós os reunimos, pois os governos têm um foco mais analítico — tomam medidas políticas para influenciar a nação, a indústria de TI e a educação.

Os estudantes são a base. São eles que mudarão a indústria com base no que aprendem sobre o futuro. Reunindo essas duas comunidades num grupo organizacional, obteremos uma imagem melhor sobre as questões com as quais o país está lidando, o que nos ajuda a levar a estratégia certa adiante.

Ao contrário de alguns dos nossos concorrentes, que focam no lobby e na política governamental, nós desenvolvemos relacionamentos a longo prazo por um período, e por isso, os governos confiam em nossos conselhos sobre como a tecnologia pode ajudá-los. O grande foco desse diálogo é o conceito das tecnologias de código aberto e como uma tecnologia pode beneficiar o governo e as indústrias de um país. A mensagem muda de acordo com o governo do qual estamos falando, porque as tecnologias de código aberto beneficiam diferentes países de diferentes maneiras. Enfim, a intenção é ajudar os governos a incentivar o desenvolvimento da propriedade intelectual local para alavancar as economias locais.

Para os acadêmicos, as raízes da Sun estão nas universidades. O nome “Sun” originalmente significava Stanford University Network — isso é parte do nosso DNA. Durante anos estivemos próximos a essa comunidade. Agora pretendemos nos aproximar mais das comunidades acadêmicas globais, uma vez que acreditamos que a próxima geração de desenvolvedores, criadores de políticas, clientes e tecnólogos nascerão aqui. Nossa abordagem é disponibilizar a nossa tecnologia de software livre e de download gratuito, para que os estudantes possam ter acesso a ela, desenvolver, inovar e compartilhá-la.

P: Cite alguns dos desafios que você enfrenta no trabalho com esses dois públicos em diferentes países ao redor do mundo.

R: Cada país é um pouco diferente. Precisamos adaptar a mensagem para cada um. Para os países emergentes, o código aberto significa apoiar a inovação local — promovendo a indústria de TI local. Num país mais desenvolvido, evita cartéis e monopólios, proporcionando a de custos e contratos públicos honestos/ justos.

Um segundo desafio é levar a nossa mensagem às comunidades certas. Somos um grupo pequeno e é impossível para nós encontrar e conversar pessoalmente com cada um. Aqui dependemos das “comunidades” — temos que encontrar comunidades que compartilham a nossa visão e paixão pela honestidade e obter o seu apoio para divulgar a mensagem. Há muitos funcionários públicos, acadêmicos e membros da comunidade de software livre que compartilham a nossa visão e paixão do software livre. Portanto, parte do trabalho é encontrar essas pessoas e apoiá-las para promover o projeto “do código aberto”.

P: Como o clima macro econômico está afetando os grupos com os quais você trabalha no mundo inteiro?

R: Jonathan Schwartz gosta de dizer que a inovação ama a crise. E, de fato, a situação econômica mundial só apóia a nossa mensagem. Os países em desenvolvimento se deram conta que a mão-de-obra barata ou a terceirização não são suficiente. Desenvolver a sua própria inovação em torno da TI é muito mais importante. Eles sabem que precisam oferecer mais do que mão-de-obra. Eles querem desenvolver o seu talento de TI e apoiar as suas indústrias locais. Portanto, combinam perfeitamente com a nossa tecnologia de software livre e a disposição em compartilhar este com governos e estudantes.

Em tempos de crise, as pessoas procuram resolver os problemas de forma diferentes que antes. As pessoas hoje têm mente muito mais aberta e disposição para procurar alternativas para criar uma indústria de TI mais forte no futuro.

Nos países desenvolvidos também há movimento. O Reino Unido acabou de oferecer uma política de software livre. O governo de Obama nos E.U.A. proclama o governo aberto e a transparência. O Canadá acabou de solicitar informações como o software livre pode ajudar o seu governo. Isto é algo jamais visto antes.

Em tempos de crise, as pessoas procuram resolver os problemas de forma diferentes que antes. As pessoas hoje têm mente muito mais aberta e disposição para procurar alternativas para criar uma indústria de TI mais forte no futuro.

P: Quais países são mais proativos na adoção de padrões livres?

R: O Brasil é um país com forte presença de software livre. A Malásia tem uma política de software livre que foi apoiada pela ONU como uma das melhores no mundo. A Indonésia tem a iniciativa de software livre denominada de “Indonesia Go Open Source Iniciative”, iniciada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. A China apóia fortemente o software livre. Também a Rússia, o Vietnam, o Egito, a Argentina, a África do Sul, o Canadá, o Reino Unido e muitos outros estão de olho na tecnologia de código aberto.

P: Como as tecnologias livres estão sendo aceitas nesses países?

R: Os países emergentes buscam a tecnologia de software livre porque ela proporciona um campo de ação mais equilibrado para eles no mundo. Um ditado popular chinês diz que eles gostam de ficar em pé sobre os ombros dos gigantes. Melhor do que começar do zero e desenvolver sozinhos, eles podem adotar o software livre e dar um salto para frente com a tecnologia, ao invés de ficar atrás. Portanto, a tecnologia livre é excelente para inovação protegendo também os usuários contra uma reserva dos fornecedores.

Nos países desenvolvidos, o software livre é considerado uma forma econômica de oferecer serviços públicos, garantindo que não haja monopólio na indústria e assegurando que as interfaces entre os softwares funcionem.

O importante é entender quais problemas um determinado governo está tentando resolver. Entendendo isso, podemos mostrar como a tecnologia livre fornece as soluções.

P: Quais são os desafios ao adotar esses conceitos?

R: Tudo se resume em adequar a mensagem para os diferentes públicos em seu contexto. O importante é entender quais problemas um determinado governo está tentando resolver. Entendendo isso, podemos mostrar como a tecnologia livre fornece as soluções.

P: Quais são os fatores de sucesso cruciais para trabalhar com tantas comunidades diferentes no âmbito global?

R: Ser um bom ouvinte seria um. Como já disse, precisamos entender as necessidades dessas comunidades. Olhando por cima são similares, mas na base os problemas diferem. Precisamos ser tanto parceiros como líderes. Em cada encontro precisamos fornecer algo que incentiva a reflexão, ou seja, interessante. Nosso objetivo não é fazer uma venda, mas resolver um problema. Outro fator é a persistência. Trabalhar com governos não é uma tarefa de um dia para outro. Você trabalha com eles por muito tempo antes de confiarem completamente em você. É um relacionamento de longo prazo e você deve ser honesto, franco e estar disponível para eles.

Esses fatores se aplicam igualmente ao público estudantil. A tecnologia precisa ser interessante e aplicada às suas tarefas, pesquisas e aspirações profissionais.

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