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As economias em rápido desenvolvimento de todo o mundo, estão mudando rapidamente o panorama comercial global, proporcionando oportunidades e desafios para empresas globais, nos mercados estabelecidos, que estão procurando se associar com empresas e governos nessas áreas.
Para melhor aproveitar esta oportunidade, em junho a Sun anunciou a formação de uma região de vendas aos Mercados Emergentes, para acelerar o crescimento nessas áreas. Peter Ryan foi nomeado vice-presidente executivo de Vendas e Serviços Globais, incluindo os mercados emergentes. O Peter aproveita esta oportunidade para compartilhar com os leitores do Sun Inner Circle a sua opinião sobre os requisitos de estratégias diferentes para aproveitar as oportunidades apresentadas pelos mercados emergentes.
P: Os mercados emergentes claramente representam oportunidades para as empresas globais. Quais são alguns dos desafios para aproveitar essas oportunidades?
R: O aumento maciço de pessoas, aplicações, negócios e serviços nas economias emergentes, que entram on-line diariamente, é surpreendente. As empresas que servem esses mercados, estão considerando a rede para conectividade para a sua mão-de-obra global, bem como para os clientes e comunidades aos quais prestam serviços. Para suportar o crescimento, as empresas devem construir as suas infra-estruturas organizacionais e ajustar as suas abordagens para o gerenciamento da mão-de-obra, para servir melhor esses mercados em rápido crescimento. Aperfeiçoando a tecnologia e aumentando a conectividade de rede, as empresas e as pessoas podem trabalhar efetiva e eficientemente além das fronteiras, enquanto atraem novos mercados e criam oportunidades para o crescimento.
P: Como a estratégia de um mercado emergente difere da estratégia de um mercado estabelecido?
R: A principal diferença é o ritmo do crescimento. Nos mercados mais estabelecidos, os estudantes de universidades freqüentemente aprendem sobre a sua tecnologia e depois desenvolvem aplicações comerciais que as empresas adquirem. As empresas de mercado estabelecido também têm legados de diferentes arquiteturas de TI, diferentes bases de experiência, processos e procedimentos.
Hoje, 55 por cento a população mundial de desenvolvedores está nos mercados emergentes.
Com os mercados emergentes é importante ter uma visão de 360 graus. É essencial que as suas tecnologias estejam disponíveis para todos os setores da economia e no nível universitário, de maneira que eles possam desenvolver capacidades, aplicações e modelos de negócios em torno dessas tecnologias, que os ajudarão a ganhar acesso ao público global. O governo é uma outra área da diferença. Os governos dentro dos mercados emergentes tendem a ser bem receptivos e flexíveis para fazer diferentes escolhas quando elas resultam em novas tecnologias e arquiteturas.
Tome por exemplo, o mercado de telecomunicações. Nos mercados mais maduros, como dos E.U.A. e Reino Unido, existe uma infra-estrutura de linha fixa nesses países há mais de 50 anos. Em muitos mercados emergentes, a necessidade de crescer rapidamente é tão imperativa que eles saltarão diretamente para as tecnologias mais recentes como sem-fios, aparelhos móveis portáteis e dispositivos de Internet. Eles podem fazer isso por que eles não têm as restrições de infra-estrutura herdada na mesma escala como os mercados mais maduros. Vejamos apenas em algumas estatísticas em torno das tendências de usuários de celulares.
Hoje, o total mundial de usuários de celulares é de 2,2 bilhões, com usuários de banda larga móvel em 42 por cento, e espera-se estar em 70 por cento até 2012. Nos países em desenvolvimento, com uma pequena infra-estrutura de telefonia fixa, o uso de celulares quadruplicou na última década (efeito "leapfrog"). Esse crescimento virá dos mercados como a China, onde apenas 46,2 por cento da população está usando celulares, ou o México com 53,5 por cento da população usando celulares. A Índia é o maior mercado em crescimento, somando cerca de 6 milhões de celulares a cada mês. Com 272,7 milhões de celulares, a penetração do mercado no país ainda é baixa, está em 24,1 por cento. A Índia espera alcançar 500 milhões de assinantes até o final de 2010.
Ao lidar com esses mercados, é importante não ter preconceitos e esforçar-se para entender onde eles estão hoje, em vez de agrupá-los junto com os mercados desenvolvidos.
P: De uma perspectiva organizacional, por que é importante uma Região de Mercados Emergentes separada?
R: Antes de definir esta divisão, a Sun tinhanegócios ativos em muitos desses mercados emergentes — Brasil, China, Índia, Rússia, o Oriente Médio, África e Leste Europeu. Algumas dessas regiões foram muito importantes no nosso terceiro trimestre do exercício de 2008. Crescemos acima de 20 por cento, ano após ano, no Brasil, 28 por cento na Índia, 12 por cento na Rússia e 13 por cento na China. Estamos nesses mercados, vencendo com clientes como Tata Teleservices Ltd., Reliance Communications, e MTS. Sun também tem trabalhado bastante com os governos e as comunidades dentro desses países, tais como o Ministério de Segurança Pública da República Popular da China e a Universidade de São Paulo.
Conforme pesquisa de analistas, prevê-se que a população mundial de desenvolvedores de software cresça de 12,2 milhões, em 2006, para 17,2 milhões até 2011, mas a América do Norte contará com apenas 18 por cento desses empregos em 2011.
O que percebemos, entretanto, é uma série de características comuns entre essas economias — a maneira que estão abraçando a tecnologia de software livre, a maneira que os governos estão optando em construir infra-estruturas para lidar com os cidadãos através da rede e a maneira que as tecnologias sem fios e móveis são cada vez mais importantes.
Portanto, em vez de ter as economias emergentes anexadas às economias maduras, de um ponto de vista de modelo de negócio, decidimos que faz mais sentido levar a nossa gente, os processos e as capacidades, juntos, para suportar o crescimento incrível que ocorre nessas áreas. Isso nos permite compartilhar as melhores práticas e transferir a nossa experiência em trabalhar com vários governos. Isso também evita ciclos redundantes internamente e nos ajuda a agir tão rapidamente quanto essas economias necessitam que atuemos.
P: Você vê algumas tendências emergindo através desses mercados? Quais são os temas e preocupações comuns?
R: Eles querem crescer rápido. Eles estão tentando construir ecossistemas inteiros e, para muitos deles, é essencial construir a parte educacional do sistema para garantir que os estudantes tenham acesso à tecnologia. Uma das maneiras mais fáceis e econômicas para fazer isso, é através da tecnologia de software livre. O software livre nivela o campo de jogo para os desenvolvedores nos mercados emergentes.
Hoje, 55 por cento a população mundial de desenvolvedores está nos mercados emergentes. Conforme pesquisa de analistas, prevê-se que a população mundial de desenvolvedores de software cresça de 12,2 milhões, em 2006, para 17,2 milhões até 2011, mas a América do Norte contará com apenas 18 por cento desses empregos em 2011. A Sun está liderando em software livre para ajudar os desenvolvedores a usar a tecnologia de ponta para inovar. Estimulando a inovação, estamos desempenhando o nosso papel na capacitação de países para subirem na cadeia de valor de TI mundial.
Estamos dando às empresas nas economias emergentes acesso à nossa propriedade intelectual, sem barreiras para adoção, saída e barreiras de licenciamento, para construir as suas infra-estruturas de rede. Os governos e as instituições educacionais estão abraçando calorosamente as tecnologias de software livre por que elas lhes permitem mudar rapidamente, sem comprometimentos de milhões de dólares para licenciar tecnologia com direitos de propriedade. Em vez disso, eles podem pegar uma tecnologia como MySQL, fazer o download dela e aprendê-la sem nenhum custo inicial.
Os governos estão desempenhando um papel de liderança em ajudar as populações a terem acesso à tecnologia. Novamente, isso é em parte devido ao software livre, mas também ao papel difundido da rede e à capacitação de acesso à tecnologia e aos serviços. Muitas empresas de serviços de telecomunicações e financeiros estão criando modelos de negócios para a rede, para tornar disponíveis as ofertas de serviço. Conforme o Internet World Stats 2008, aqui estão algumas taxas impressionantes de crescimento de usuários de Internet nos mercados emergentes, entre 2000-20081:
| WORLD INTERNET USAGE AND POPULATION STATISTICS |
| World Regions |
Usage percent of World |
Usage percent Growth 2000-2008 |
| Africa |
3.5 |
1,031.2 |
| Asia |
39.5 |
406.1 |
| Europe |
26.3 |
266.0 |
| Middle East |
2.9 |
1,176.8 |
| North America |
17.0 |
129.6 |
| Latin America / Caribbean |
9.5 |
669.3 |
| Oceania / Australia |
1.4 |
165.1 |
| WORLD TOTAL |
100.0 |
305.5 |
Essas são comparadas à taxa média de crescimento mundial mais moderado de 306 por cento.
P: A Sun tem promovido publicamente tecnologias sustentáveis em muitos desses mercados emergentes. Qual tem sido a recepção a isso?
R: Muito boa. A responsabilidade ecológica faz parte da estratégia de responsabilidade social corporativa geral da Sun, que se esforça para criar uma mudança social positiva, minimizar o impacto ambiental e gerar valor comercial, à medida que cuidamos dos nossos negócios do dia-a-dia. Cada vez mais, as empresas estão observando o seu impacto global e o rastro ambiental, e mais empresas estão tomando ações para melhorar a posição/responsabilidade ecológica, à medida que os acionistas usam isso como uma medida para fazer negócios/investimentos e os problemas ecológicos dominam as notícias. Conforme o Gartner2, os problemas de energia e refrigeração de datacenter ficarão piores nos próximos 10 anos. As contas de energia de datacenter continuarão aumentando, o que significa que as empresas terão de re-avaliar e ajustar de acordo os seus orçamentos de TI.
Essas economias enfrentam vários desafios, incluindo o ecológico. Como mencionei, construir rapidamente a infra-estrutura é de suprema importância. Para suportar esse crescimento, eles precisam ser cuidadosos pelo fato de que essas tecnologias exigem energia e espaço. A cidade de São Paulo, no Brasil, está crescendo muito rapidamente e é densamente habitada. Portanto, se tiver que construir uma infra-estrutura enorme de TI para facilitar o crescimento, deve-se levar em consideração os requisitos de energia e de espaço maiores.
A abordagem da Sun, de medir não apenas a sustentabilidade, mas a aplicação de pura pesquisa, para chegar nas causas de origem e nos impactos do uso de menos energia e espaço, conforme construimos produtos, é uma abordagem muito cativante. A sustentabilidade é parte do nosso DNA.
P: Nos anos passados, os mercados emergentes foram freqüentemente vistos como oportunidades de investimento em vez de oportunidades de lucro. Quanto isso tem mudado?
R: Significativamente. Esses são negócios muito grandes para a Sun, conforme evidenciado pelo crescimento que temos relatado nos nossos resultados financeiros. Além da Sun, esses são negócios importantes em si.
Conforme um estudo recente do Boston Consulting Group, 87 dos seus 100 Desafiadores Globais são empresas da China (41), da Índia (20), do Brasil (13), do México (7) e da Rússia (6).
Adicionalmente, o Financial Times há pouco cobriu a ascensão de novas potências comerciais também nos nossos mercados emergentes. Prevejo que essas regiões continuarão sendo partes bem grandes dos negócios da Sun. Já deixou de tratar-se apenas de potencial. Esses mercados estão gerando lucros comerciais reais e potencial sustentado.
P: Como a estratégia livre da Sun está funcionando nesses mercados?
R: Muito bem. Se observar os downloads e registros de propriedade intelectual da Sun em todo o mundo, tais como GlassFish e MySQL, muito do volume está vindo dos mercados emergentes.
Por exemplo, MySQL fez este ano, entre meados de abril e meados de julho em mercados emergentes, acima de 1 milhão de downloads, o que é 40 por cento do total de downloads em todo o mundo. O maior "downloader" único durante os último 12 meses foi a ChinaNet, a rede da província de Guangdong (um provedor de serviços de internet regional), com quase meio milhão (462.013) de downloads. Essa tendência também se aplica à Java, GlassFish e OpenSolaris (entre outros), que têm tido muito sucesso nesses mercados.
Em fevereiro, a Sun anunciou a sua primeira expansão do seu programa OpenSPARC educacional no exterior. O acordo com o Ministério da Educação da China (MOE), estende-se a 10 universidades na China este ano e treina 150 professores nos projetos OpenSPARC da Sun a cada ano. Se olhar para a rapidez do crescimento do nosso negócio, ele é amplamente impulsionado pela adoção das tecnologias de software livre por universidades e pelos governos. Estamos vendo uma adoção ampla e isso está nos capacitando a entrar em diálogo consistente numa série desses mercados.
A respeito de Peter Ryan
Peter Ryan é o vice-presidente executivo de Vendas e Serviços Globais da Sun Microsystems e é responsável pela condução do crescimento e da rentabilidade da Sun. Nesse papel, Ryan fornece uma experiência de cliente consistente, integrada e responsável através de uma organização mundial unificada de vendas e serviços. A equipe mundial de 17.000 colaboradores de Ryan, combinada com a comunidade de parceiros da Sun, representa um dos canais mais amplos e ricos em experiência no mercado da tecnologia, abrangendo o globo em cada ramo, categoria de produto e área de atividade técnica e comercial.
1 Internet Usage and World Population Statistics: June 30, 2008
2 Gartner: Data Center Power and Cooling Scenario Through 2015; March 14, 2007
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