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Os benefícios comerciais de produtos ecológicos podem emular as vantagens ambientais. Eis porque — e o que isso significa para as equipes de design de produtos.
Em 2006, Jeffrey Immelt, CEO da GE, subiu à tribuna em Boca Raton, na Flórida, e, no âmbito do processo de lançamento das iniciativas ecológicas da GE, declarou que "ecológico é ecológico". Esta simples declaração, que se tornou algo como um lema para a GE, reconhece que a eficiência ecológica faz sentido tanto do ponto de vista de negócios, quanto do ponto de vista ambiental. O que Immelt queria dizer era que se pode fazer dinheiro verdadeiro ao ser responsável em relação ao meio ambiente. Mas, será verdade ou tratava-se apenas de um slogan? E se ecológico é ecológico, qual é a melhor maneira de identificar e agir perante oportunidades para produzir produtos e serviços ecologicamente eficientes. Folheie qualquer jornal ou revista e verá que a obsessão com o "ecológico" não é apenas uma onda passageira. A seção de notícias terá artigos sobre a abertura de um centro de reciclagem local ou sobre uma nova batalha sobre legislação ecológica. A seção de esportes incluirá artigos sobre novas embalagens ecologicamente adequadas para produtos de hidratação e iluminação mais eficientes em termos de energia para estádios. A seção de estilo abordará as últimas modas ecológicas com roupas feitas de bambú ou cânhamo. A seção do lar fornecerá indicadores sobre como diminuir o consumo de energia de eletrodomésticos. E a seção de negócios estará cheia de artigos sobre a mais recente legislação referente à coleta de produtos tipo "take-back", ou projeções de vendas do carro Smart. O mercado para o produto ecologicamente eficiente é aquiO que isso significa para a empresa de hoje é que o mercado de produtos ecologicamente eficientes é aqui; a demanda dos consumidores por produtos ecologicamente eficientes é real, e os esforços que destacam o design ecologicamente eficiente estão sendo recompensados pelo mercado. Não é apenas o sucesso comercial do Toyota Prius e da lâmpada fluorescente compacta (CFL) que estão impulsionando o foco sobre o design de produtos ecologicamente eficientes. As receitas próprias da GE no campo de produtos de foco ecológico excederam 12 bilhões de dólares dentro de um ano após a sua campanha de "Ecomaginação", e o valor dos pedidos em carteira aumentou para 50 bilhões de dólares. De modo semelhante, o Wal-Mart aumentou a eficiência e baixou os custos por meio da redução da embalagem dos produtos em toda a cadeia de fornecimento. A Boeing descobriu que a vantagem da eficiência de seu novo 787 Dreamliner não apenas proporciona economia hoje, mas também eficiência adicional em termos de custos no futuro. Na Sun, temos visto a vantagem do "ecológico é ecológico" no aumento das vendas de nossos servidores eficientes em termos de energia. E a lista continua. Um dos melhores exemplos é talvez um dos mais surpreendentes: Interface, Inc. um fabricante líder de tapetes nos Estados Unidos. Em 1994 a Interface iniciou uma revisão completa de suas operações focada na da sustentabilidade ambiental. Ela começou a medir e monitorar cada aspecto do seu impacto ambiental e também o de seus fornecedores. A empresa definiu metas e objetivos bem específicos, tanto do ponto de vista de negócios como também do meio ambiente. E os resultados têm sido fenomenais. A interface reduziu a quantidade total de resíduos enviada para os lixões em mais de 66 por cento; baixou o consumo total de energia nas instalações de produção de tapetes em 45 por cento; reduziu as emissões de gases de efeito estufa em 82 por cento, se forem incluídos os melhoramentos na eficiência de processo e o uso de créditos. E, no processo, eles economizaram mais de 370 milhões de dólares. Em resumo, empresas de todos os tipos e tamanhos estão claramente desejosas em transformar ecológico em ecológico. Mas isso não significa que um projeto passará sem obstáculos pelos processos de aprovação e orçamentação de sua empresa, simplesmente por ser ecologicamente adequado. Do ponto de vista da empresa, todas as decisões de produtos continuam sendo sobre dinheiro. E isso quer dizer, agora mais do que nunca, que os engenheiros e equipes de projeto de produtos precisam ser específicos sobre como os seus projetos resolverão problemas de clientes, contribuirão para receitas e criarão vantagens competitivas. Dentro dos próximos anos, praticamente todo produto ou serviço novo incluirá considerações ambientais como parte de suas especificações principais de design. Os engenheiros de produtos precisarão atender às questões, leis e requisitos de produtos e serviços ecologicamente responsáveis — e poder aproveitar as oportunidades que os produtos ecologicamente responsáveis representam. Engenharia para eficiência ecológicaAs empresas estão reconhecendo que a responsabilidade ambiental e a responsabilidade fiscal não são mutuamente exclusivas — na verdade, podem combinar muito bem. E isso é fantástico para engenheiros que desejam melhorar a eficiência ecológica de um produto ou processo. A pergunta é como proceder da melhor maneira. Pode ser quase impossível identificar e medir a série completa de impactos ambientais de um único produto ou serviço, sem falar em determinar prioridades para melhorar o desempenho ambiental. As questões incluem:
Por causa de todos esses desafios, os engenheiros precisam de uma estrutura para analisar os impactos e as permutas envolvidas no design mais responsável. Visto que não têm nem o tempo nem os dados para medirem, tampouco um modelo para tudo, esta estruturas deve confiar em estratégias para estimar, priorizar, medir e criar modelos de forma focada dentro de situações restritas. No seu livro publicado recentemente, Citizen Engineer, os executivos da Sun, David Douglas e Greg Papadopoulos, apresentam uma abordagem pragmática à análise do ciclo de vida útil de um produto para ajudar os engenheiros a compreenderem os impactos ambientais gerais dos produtos de projetam. O livro percorre os pontos em uma análise detalhada passo a passo desse ciclo de vida. Um breve resumo das diretrizes recomendadas para definir prioridades, exigências e metas inclui:
Ciente da prática do "greenwashing"Estamos todos familiarizados com as reivindicações ecológicas exageradas e as iniciativas verdes fictícias que constituem o "greenwashing". O "greenwashing" cria graves problemas para a engenharia ecológica, porque torna difícil para qualquer pessoa saber quais idéias são genuinamente eficientes em termos ecológicos e quais não. Isso significa que as idéias legítimas não são levadas a sério e, em muitos casos, projetos promissores não são financiados. Essa prática também contribui para o "barulho verde", ou seja, excesso de informações que fazem com que as reivindicações ambientais sejam desprezadas como sendo exageradas ou RP. A maneira como as equipes de produto podem neutralizar o "greenwashing" e o "barulho verde" é fornecendo dados concretos por meio de medidas e padrões de referência. As classificações de eficiência no consumo de combustível da EPA são um exemplo - uma classificação de milhas por galão para dirigir em cidades e em rodovias. Eles fornecem uma base para determinar como a eficiência no consumo de combustível de um veículo se compara com a de outro e você pode quantificar os benefícios baseado na sua própria maneira de dirigir. Esses padrões de referência têm surgido muito devagar no mundo dos dispositivos eletrônicos, mas já notamos progresso com os esquemas de classificação ecológica, tais como Energy Star, EPEAT, 80 Plus e a Climate Savers Computing. Uma nova era de inovação e de lucratividadeHá muitos exemplos de como a responsabilidade social e ambiental impulsiona a economia e como esta, por sua vez, impulsiona novas inovações. Contudo, a responsabilidade social tem a ver com mais do que só economia e a engenharia tem a ver com mais do que só satisfazer necessidades do mercado. Atualmente, as equipes e engenheiros de design de produtos não estão apenas satisfazendo os gostos e demandas de consumidores; eles também influenciam e direcionam atitudes e preferências da sociedade, assim como criam novos recursos. Esta é a era à qual Douglas e Papadopoulos se referem como o advento do "engenheiro cidadão". Nunca antes o papel do engenheiro foi tão amplo, porque ele atua como um verdadeiro ponto de ligação entre a ciência e a sociedade. "Há um certo grau de entusiasmo e paixão na comunidade de engenharia atualmente que eu não vejo há décadas", disse Papadopoulos. "Não se limita aos jovens ou aos recém-formados em engenharia; trata-se de uma onda de energia entre os engenheiros de todos os tipos e em todas as partes do mundo. E isso deriva do reconhecimento de que hoje existe uma oportunidade única de fazer coisas que não só produzam dinheiro, mas que também façam uma diferença real no nosso meio ambiente e na nossa sociedade. | ||