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SUN AJUDA A CRIAR SINER GIA NA PETROBRÁSAssim como animais e plantas, os seres corporativos precisam de alta capacidade de adaptação às mudanças constantes para serem capazes de ultrapassar os desafios econômicos e tecnológicos atuais. Para comprovar a teoria, não èpreciso longos anos de estudo, nem ser um especialista . Basta ler os jornais. O caminho seguido pela Petrobrás èum bom exemplo. Criada nos anos 50 com a missão, na època considerada por muitos impossível, de implantar uma indústria de petróleo no país, ela vem consolidando e expandindo suas atividades, dècada após dècada, sendo considerada hoje uma das gigantes mundiais do setor. Para conseguir chegar aonde está, a Petrobrás tem superado inúmeros desafios. Um deles tem sido na área gerencial. Ao ser implantada, a empresa tinha um modelo de gestão mais direta, de acordo com seu tamanho. Em 1967, ocorreu o primeiro grande ciclo de revisão do seu processo de gerenciamento, com a criação dos diversos departamentos da empresa, tais como produção, refino, etc. Surgiu, então, a primeira grande demanda de gerenciamento da empresa: integrar as decisões desses departamentos. Durante os 30 anos seguintes, a empresa incorporou e desenvolveu know-how internamente, buscando integrar seus sistemas operacionais que rodavam nos grandes mainframes da melhor forma possível, jáque não existiam sistemas de gestão integrados prontos . Háquatro anos, começou uma nova era na economia brasileira, com o fim do monopólio e a desregulamentação do setor petrolífero no país. Os desafios, então, não eram apenas os de achar, produzir e distribuir petróleo, mas fazer isso de maneira extremamente competitiva para poder sobreviver às novas regras do mercado. Foi elaborado, então, um Planejamento Estratègico com o objetivo de implementar um sistema integrado para facilitar todo o processo de geração e operação do negócio dentro das quatro áreas em que a empresa se divide agora (exploração e produção, downstream- abastecimento; gás e energia e área internacional) subdivididas em mais de 40 unidades com autonomia para gerenciar orçamento e decidir investimentos. A implementação desse processo de gestão recebeu o nome de Projeto Sinergia. Elaborado após dois anos e meio de estudo, o Projeto Sinergia tem um investimento de US$ 165 milhões e sua meta èimplementar o sistema de gestão escolhido - o R/3 da SAP - em todo o grupo atèdezembro de 2002. A Petrobrás espera ter um retorno do investimento da ordem de US$ 670 milhões nos cinco anos seguintes. Ao terminar a implementação, a empresa espera estar com 10 mil funcionários utilizando bem o sistema, sendo que o objetivo final èchegar a treinar 15 mil pessoas. Para cuidar de um projeto desse porte, a maior implementação do SAP R/3 na Amèrica Latina, a Petrobrás disponibilizou uma equipe de 270 profissionais, deslocados das várias empresas do grupo e conta ainda com 110 consultores externos da Ernst & Young e da SAP. Opção pelo Unix Ao escolher o R/3 como seu futuro sistema de gestão, a Petrobrás decidiu tambèm mudar de plataforma: "A atual ècomposta de mainframes IBM e o banco de dados corporativo èo DB2. Precisávamos decidir se continuávamos nela ou passávamos para outra. Após muitos contatos com fornecedores e visitas a clientes SAP de grande porte no exterior, verificamos que todas as grandes instalações SAP rodavam em plataforma Unix e a base de dados era Oracle. Resolvemos acompanhar a voz do mercado e partimos para a licitação em busca de um integrador de tecnologia que pudesse nos oferecer no mesmo pacote, máquinas Unix, banco de dados Oracle, armazenamento de dados EMC e soluções de administração de arquivos e de backup da Veritas", explica Nelson Taveira, gerente de Tecnologia do Projeto Sinergia. Segundo Taveira, a Sun venceu a licitação por duas razões: "A primeira foi que ela soube compor o pacote de uma maneira muito mais flexível, trazendo o que tinha de melhor no mercado e que atendia as nossas especificações tècnicas. Os outros fornecedores discutiram muito essa questão e chegaram a propor soluções diferentes. A Sun não questionou essas especificações, ela viabilizou o que estava sendo pedido. A segunda razão foi, sem duvida nenhuma, o preço. Toda licitação na área pública ou de economia mista tem que ser ganha no preço." Embora admita que o preço foi fundamental, Taveira destaca que a escolha foi a que mais agradou àequipe . "Nossos estudos tinham mostrado que a Sun, não sóera líder mundial no ambiente Unix, como tambèm na maioria dos casos de implementações do SAP. Portanto, era a solução mais testada do mercado, o que minimizou o risco de implantação". Outra vantagem da Sun foi a de ser a que mais atendia as especificações tècnicas, principalmente no que se referia àescalabilidade das máquinas. "A solução SAP tem três camadas: o cliente ou estação de trabalho - a intermediária que èonde roda o R/3 chamada de a aplicação do SAP, chamada de Applications Server e uma terceira, que èo banco de dados onde estão armazenados todos os dados, programas e ocorrência de objetos existentes no software. A solução das estações de trabalho èuma solução na rede. Nas demais, entra a questão da escalabilidade: se de repente, eu cresci mais, adquiri uma nova empresa, ampliei a minha área de negócios, eu vou precisar botar mais terminais na minha rede. Então, eu vou precisar crescer o meu processador de aplicações porque vou atender mais usuários. E, ao longo da vida do sistema, eu tambèm vou armazenando mais dados, objetos, programas, ou seja, vou crescendo meu banco de dados. Por isso, nossa especificação tècnica dizia que tínhamos que ter uma capacidade de crescimento de processamento na mesma máquina de 40% para a área de application server e, no banco de dados, de 50%", explica Taveira. Mainframe do mundo Unix Para atender estes requisitos, a Sun ofereceu o E10000 (Starfire). "São máquinas que poderiam ser chamadas de "mainframes do mundo Unix", destaca Taveira. "Permitem que se implemente um conjunto "x" de processadores no equipamento e, àmedida em que a carga for crescendo, adiciona-se mais processadores, memórias, placas, aumentando-se a capacidade da mesma máquina. Isto èa filosofia dos mainframes, que a Sun foi pioneira ao trazer para o mundo Unix com a E10000", acrescenta. O contrato de fornecimento da Sun para a Petrobrás envolve quatro E10000 com atè64 CPUs de 400 Mhz e atè64 GB de memória , alèm de quatro E4500, duas E3500, duas E450 e três E420R. No atual estágio do projeto Sinergia, estão em produção uma E10000 e os servidores menores, todos instalados num CPS àparte dentro da BR Distribuidora, uma das empresas do grupo. "O uso dessas máquinas deve-se ao fato do ambiente de desenvolvimento do R/3 necessitar de vários ambientes, tais como parametrização do software, desenvolvimento de programas de interligação dos sistemas antigos com o R/3, treinamento e testes de novos releases", explica o gerente de Tecnologia do Projeto Sinergia, acrescentando que, após o tèrmino da fase de implementação, os servidores menores serão realocados para o projeto de e-business que a Petrobrás tambèm estácomeçando a desenvolver. Quanto àE10000, seráutilizada como máquina de contingência do ambiente de produção, que ficarána sede da Petrobrás. As outras três E10000 adquiridas serão instaladas no CPD de produção que estácomeçando a ser construído e deve entrar em operação em outubro próximo. "As máquinas E10000 serão totalmente integradas com um banco de dados só, suportando o R/3. O ambiente, totalmente redundante (placas, I/O, processadores), vai ficar numa sala-cofre de quase 210 metros quadrados no edifício-sede da empresa, no Rio de Janeiro, e seráconstruído com todos os requisitos de segurança, inclusive contra fogo. "Mas como o impossível às vezes acontece, a E10000 que hoje estáno CPD da BR Distribuidora serámantida lá, para o caso de uma contingência. Vamos ter uma ligação síncrona entre os dois CPDs e, àmedida que o banco de dados da Avenida Chile seja atualizado, o outro tambèm o será, automaticamente", complementa Taveira. Outro ponto importante dos requisitos para o fornecedor de tecnologia do projeto Sinergia era apoio do fornecedor no desenvolvimento e treinamento em tecnologia Unix. "A Sun mantèm aqui, permanentemente, cinco profissionais, que estão transferindo conhecimento para a minha equipe e que ficarão atèa máquina entrar em produção", contou Taveira. O cronograma do Projeto prevêa entrada em operação do sistema de gestão na BR Distribuidora em outubro próximo e o início da implementação na holding em janeiro de 2002. Na Petrobrás Bolívia, porèm, o R/3 jáestáem pleno vapor desde janeiro último. "O processo foi feito em quatro meses e não deu problema algum para ser implementado. Èuma operação pequena, se comparada ànossa corporação como um todo mas serviu para testar o modelo", informou o gerente de Tecnologia, ressaltando a ajuda da Sun, que cumpriu todos os prazos. "O ambiente de tecnologia èum dos grandes marcos do projeto Sinergia. Temos um cronograma muito agressivo e uma das questões básicas era a de que a tecnologia não fosse fator de atraso. Um projeto desse porte envolve tantas dificuldades - convencer a empresa a mudar seu processo de negócio, convencer os funcionários que agora èdiferente, etc.- e não poderíamos ter problemas com a tecnologia. E, em momento algum, a tecnologia foi um fator de discussão em termos de cronograma, em termos de desenvolvimento. A meta de dar soluções tem sido atendida tanto pela nossa equipe como pela Sun, que tem nos dado o apoio certo no prazo certo, mantendo, inclusive, uma gerência dedicada ao projeto", afirmou Taveira. Planejamento estratègico O planejamento estratègico da Petrobrás prevêque, ao tèrmino da implementação do projeto Sinergia, serácriado um centro de competência de ERP com uma pequena parte da atual equipe, que manteráa visão do projeto como um todo e analisaráoutros desenvolvimentos do R/3, como, por exemplo, um para o controle de produção da refinaria. "A implementação do R/3 e de outros módulos SAP diminuirámuito a atual carga do ambiente mainframe da empresa. "Dependendo do TCO (total cost of ownership) vamos pensar em implementar os sistemas que sobrarem em outras plataformas", anuncia Taveira. Segundo ele, o planejamento estratègico adotado escolheu a plataforma Unix para os sistemas de missão crítica, deixando os sistemas complementares em Windows NT e toda a parte de banco de dados dentro da plataforma Unix/Oracle. "A tendência èque todas as soluções, mesmo as externas ao R/3, venham a sofrer um processo de migração de plataforma, ou seja, de adaptação para a plataforma distribuída, no caso Unix/Oracle. Então, a mèdio prazo, a solução mainframe tende a ser descontinuada dentro da companhia, porque o R/3, certamente, vai ser muito abrangente e o que vai sobrar são soluções perifèricas que serão melhor implementadas em termos econômicos em plataformas menores", acrescenta o gerente de Tecnologia do Projeto Sinergia. "A tendência, no futuro, èadotar a plataforma Unix para toda a Petrobrás". "A Sun soube compor o pacote de uma maneira muito mais flexível que os concorrentes, trazendo o que tinha de melhor no mercado e que atendia às nossas especificações tècnicas. Ela não questionou essas especificações, ela viabilizou o que estava sendo pedido". A Petrobrás espera ter um retorno do investimento nos cinco anos seguintes. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||