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Conexão Direta

São Paulo <-> Manaus

No turbulento Japão pós-guerra, dois jovens amigos investiram em um projeto ousado: criar uma empresa de produtos eletrônicos. Com aproximadamente 500 dólares, nenhum maquinário sofisticado e poucos funcionários, Masaru Ibuka e Akio Morita lançaram as bases da Sony. Depois de conquistar o mercado local e internacional, a Sony é atualmente uma das maiores companhias de produtos eletrônicos em todo o mundo, com filiais espalhadas por vários países. No Brasil, ela está presente desde 1972.

Inicialmente instalada em São Paulo, a Sony se transferiu para a Zona Franca de Manaus, em 1985, atraída pelos incentivos fiscais oferecidos pelo governo brasileiro para criar um pólo industrial na região Norte. Lá foram montadas três fábricas, uma de plásticos, outra de componentes e a montadora, além de um depósito. Desde então, todos os produtos nacionais da Sony são produzidos no estado do Amazonas, tais como CDs para carros, câmeras de vídeo, monitores, TV, microsystems, entre outros 80 modelos de aparelhos eletrônicos diferentes.

No começo, todos os dados das fábricas eram processados no mainframe, instalado na matriz, em São Paulo. “Nós tínhamos muitos problemas, porque como o mainframe ficava em São Paulo, o acesso às informações de que precisávamos era remoto. E a conexão entre os dois pontos era muito lenta. Chegamos a pensar em implantar mainframe também em Manaus, mas esta solução foi afastada em função do custo e também porque este tipo de equipamento estava com os dias contados”, explica Miguel Guimarães, responsável pela área de banco de dados.

Foi realizado um downsize com sucesso, utilizando PCs e servidores NT, mas, com o crescimento da demanda e com a implementação de novas funcionalidades, houve a necessidade de um incremento no poder de processamento dos servidores de banco de dados. Após analisar as opções de ambientes que poderiam ser adotadas, e levando-se em consideração a alta disponibilidade exigida pelo sistema, os técnicos da empresa concluíram que a mais adequada seriam servidores da Sun Microsystems. “Os técnicos consideraram a Sun como a melhor plataforma. O fato curioso é que, inicialmente, fui contra, por achar o ambiente Unix mais complexo de se administrar do que o NT, além da sofisticação dos equipamentos Sun. Hoje, após três anos de utilização ininterrupta, mudei de idéia. As máquinas Sun apresentaram desempenho em performance e administração além das minhas expectativas”, confessa Henrique Martins, gerente de Sistemas de Fábrica, em Manaus.

Para Miguel Guimarães, alguns fatores, embora não fossem os principais, contribuíram para a escolha dos equipamentos da Sun Microsystems pela Sony, tais como a confiabilidade, a alta disponibilidade e a possibilidade de crescimento da plataforma. “O mais importante é que queríamos uma tecnologia que fosse reconhecida não somente dentro do Brasil, mas também fora. Os profissionais japoneses conhecem a plataforma Sun, que é usada por várias outras subsidiárias da empresa”, explica Miguel.

De acordo com Henrique Martins, desde 1999, quando foram implantadas as novas plataformas – dois E450 em configuração cluster, rodando em Manaus, e dois E450, rodando em São Paulo – o volume de processamento de dados das fábricas cresceu 200%, sendo suportado sem problemas pelos equipamentos. Eles rodam o sistema industrial e um sistema de gerenciamento de recursos (MRPII) desenvolvido pela própria empresa. Outra vantagem apontada por Henrique Martins é que o sistema MRPII está hoje totalmente online. “São aproximadamente 10 mil itens (peças) multiplicados por 80 modelos diferentes. Antigamente, o processamento de nossas compras (MRP) levava um dia, pois era feito à noite. Atualmente, da digitação do usuário até a efetivação final, leva-se uma hora”, assegura Henrique.

A agilidade obtida com o sistema online é fundamental para a empresa. Isso porque os projetos recebidos de outras unidades da Sony, principalmente do Japão e dos EUA, são mais rapidamente “regionalizados” (ou seja, adaptados para as condições e recursos disponíveis no mercado brasileiro) e enviados para a fabricação em Manaus. “Quando recebemos o modelo, ele é colocado em nossa base de dados. Então, qualquer alteração ou mudança de componente na estrutura do modelo é feita em São Paulo e pode ser acessada por Manaus”, informa Miguel Guimarães.